Mato Grosso é o estado mais letal no trânsito: Rondonópolis e Cuiabá lideram tragédia nas ruas
Rondonópolis (MT) — O trânsito em Mato Grosso se tornou uma das maiores tragédias silenciosas do país.
De janeiro a agosto deste ano, 654 pessoas morreram em acidentes de trânsito no estado, enquanto 443 foram vítimas de homicídio doloso.
As ruas estão matando mais que as armas — e o poder público segue sem um plano efetivo para conter a escalada de violência viária.
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⚠️ Rondonópolis e Cuiabá concentram as maiores tragédias
Em Rondonópolis, as estatísticas são alarmantes.
Entre 2023 e 2024, o número de mortes saltou de 38 para 59 vítimas, um aumento de mais de 55%.
A cidade, um dos polos econômicos mais importantes do estado, vive o caos urbano: ruas mal sinalizadas, excesso de velocidade, motociclistas desprotegidos e total ausência de campanhas educativas.
Em Cuiabá, o cenário é semelhante.
Foram 90 mortes registradas no último ano, e quase metade das vítimas tinha entre 20 e 39 anos.
Os fins de semana concentram a maior parte dos acidentes fatais, mostrando o impacto do álcool, da imprudência e da falta de fiscalização.
Com esses números, Mato Grosso ocupa uma das maiores taxas de mortalidade no trânsito do país, e caminha para se tornar o estado mais violento nas ruas brasileiras.
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🚧 Causas: imprudência, omissão e infraestrutura precária
A violência no trânsito mato-grossense não é fruto do acaso.
Ela nasce da omissão pública, da falta de planejamento urbano e da cultura de impunidade.
Entre os principais fatores apontados estão:
• Falta de fiscalização efetiva e blitzes regulares;
• Sinalização e iluminação precárias, especialmente nas periferias;
• Ausência de ciclovias e calçadas seguras;
• Descontinuidade de campanhas de educação no trânsito;
• E um comportamento cada vez mais agressivo ao volante, sem punição.
Enquanto isso, o governo estadual e as prefeituras disputam responsabilidades, mas pouco fazem de concreto.
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🏥 A dor que não sai do asfalto
Por trás de cada número há uma história.
As UTIs dos hospitais regionais e municipais estão lotadas de vítimas do trânsito — pessoas que poderiam estar vivas se houvesse respeito às leis e políticas públicas eficientes.
O custo social é altíssimo: milhões de reais em internações, aposentadorias precoces e reabilitações.
Mas o maior custo é humano — vidas interrompidas e famílias destruídas.
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🌃 Rondonópolis: o retrato da negligência
Em Rondonópolis, as mortes no trânsito aumentam ano após ano.
Faltam agentes de trânsito, blitzes e campanhas educativas permanentes.
As vias são mal iluminadas, as obras mal sinalizadas e o pedestre segue invisível.
O resultado é uma cidade onde andar a pé ou de moto virou um risco diário.
Enquanto o poder público faz vista grossa, o número de cruzes nas esquinas aumenta.
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📢 O que falta é vontade política
O trânsito é o espelho do modo de governar.
E em Mato Grosso, o que se vê é um estado sem política de mobilidade humana e sem plano de prevenção.
Faltam metas, integração entre municípios e ações permanentes.
Enquanto o discurso oficial fala em progresso, a realidade é um estado onde dirigir virou um ato de sobrevivência.
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✊ Conclusão: o trânsito como tema de Estado
A violência no trânsito precisa ser tratada como questão de Estado.
O que mata nas ruas é a mesma indiferença que mata nas filas dos hospitais e nas periferias esquecidas.
Rondonópolis, Cuiabá e todo o Mato Grosso precisam urgentemente de um Plano Estadual de Redução de Mortes no Trânsito, com metas, fiscalização e investimento contínuo.
Sem isso, cada cruz no asfalto será lembrança daquilo que o poder público escolheu ignorar.
Trânsito é vida — e vida exige respeito, coragem e compromisso público.