Brasil e Mercosul avançam acordo com União Europeia em pacto de livre-comércio que pode remodelar economia global
Representantes do Mercosul e da União Europeia estão prestes a assinar um acordo de livre-comércio considerado um marco para as relações comerciais globais, após mais de 25 anos de negociações, com cerimônia marcada para janeiro de 2026 no Paraguai. O tratado tem por objetivo criar uma das maiores áreas de comércio preferencial do mundo, integrando cerca de 700 milhões de consumidores e abrindo espaço para redução de tarifas e ampliação de fluxos comerciais entre os blocos, incluindo o Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, e os 27 países da União Europeia.
O acordo prevê a eliminação gradual de tarifas de importação sobre uma vasta gama de produtos, com a meta de reduzir barreiras ao comércio de bens e serviços ao longo de um período de implementação. Essa liberalização tem potencial para aumentar exportações brasileiras em setores como agricultura, alimentos e manufaturados, e facilitar maior integração em cadeias de valor globais, atraindo investimentos estrangeiros diretos e diversificando os destinos comerciais do país.
Do ponto de vista do interesse público, o acordo levanta perspectivas e desafios. Por um lado, a redução de tarifas pode gerar mais acesso a mercados consumidores e menores custos de importação de insumos e bens de capital competitivos, o que pode contribuir para ampliar oferta de produtos, estimular a competitividade e, em tese, reduzir pressões inflacionárias para famílias consumidoras brasileiras.
Por outro lado, o pacto enfrenta constrangimentos políticos e sociais em diferentes países membros. Em várias nações europeias, como Irlanda, França e Polônia, agricultores protestam contra o acordo por temerem a concorrência de produtos com preços mais baixos, argumentando que isso pode ameaçar a sustentabilidade econômica de pequenas e médias propriedades rurais e comprometer padrões de produção locais.
Além disso, críticos apontam que a liberalização deve ser acompanhada de salvaguardas ambientais e sociais robustas, incluindo compromissos sobre desmatamento, direitos trabalhistas e padrões sanitários e fitossanitários, de modo a prevenir pressões sobre ecossistemas vulneráveis e promover condições justas de concorrência entre setores produtivos.
O impacto político do acordo também é significativo. Para o Brasil e os demais países do Mercosul, a assinatura de um tratado dessa magnitude representa um reforço ao multilateralismo e à integração econômica regional, ao mesmo tempo em que posiciona o bloco como parceiro global estratégico e aumenta sua inserção em debates internacionais sobre comércio sustentável e normas regulatórias compartilhadas.
A próxima etapa inclui a ratificação do texto pelo Parlamento Europeu e pelos legislativos nacionais dos países envolvidos, etapa essencial para sua entrada em vigor formal. Esse processo jurídico e político será determinante para que o acordo possa efetivamente produzir efeitos práticos nas economias dos países membros, desencadeando transformações nos fluxos de comércio, nas políticas industriais e nas relações de trabalho das cadeias produtivas afetadas.
Impactos positivos esperados para o Brasil
De modo geral, os impactos positivos esperados para o Brasil com o acordo entre Mercosul e União Europeia incluem os seguintes pontos principais:
Acesso ampliado a mercados consumidores
O acordo visa abrir preferencialmente o mercado europeu, que reúne centenas de milhões de consumidores com alto poder aquisitivo, reduzindo tarifas de importação sobre produtos brasileiros e criando novas oportunidades de exportação. Isso pode aumentar o volume de vendas externas de bens agrícolas e industriais brasileiros, abrindo espaço para seus produtos em mercados até então mais restritos.
Fortalecimento do agronegócio e setores exportadores
Produtos brasileiros com vantagem competitiva, como soja, carne, café, sucos e outros itens agrícolas, tendem a se beneficiar da eliminação gradual de tarifas, o que pode elevar receitas de exportação, gerar mais renda no campo e impulsionar investimentos no setor produtivo.
Maior atração de investimentos estrangeiros
A previsibilidade jurídica decorrente de um acordo de livre comércio robusto costuma estimular investimentos diretos estrangeiros, pois empresas europeias podem ampliar operações no Brasil ou estabelecer parcerias locais com maior confiança.
Crescimento econômico e integração produtiva
A redução de barreiras comerciais pode estimular a competitividade e integrar o Brasil de maneira mais profunda nas cadeias globais de valor, criando oportunidades de expansão industrial, de serviços e de inovação tecnológica. Esse aprofundamento também pode atrair cooperação em áreas de pesquisa e desenvolvimento.
Possível estímulo a padrões sustentáveis e inclusão social
O acordo incorpora elementos que incentivam cooperação em temas como meio ambiente, trabalho decente e desenvolvimento sustentável, o que pode reforçar compromissos com práticas mais responsáveis no âmbito da produção, ao mesmo tempo em que cria um espaço para participação de setores sociais e produtores familiares.
Efeito positivo no consumo interno
Com a redução de tarifas de importação para produtos europeus, consumidores brasileiros podem ter acesso a bens com preços mais competitivos e maior variedade, o que pode beneficiar famílias e empresas que dependem de insumos importados.
Diversificação de parcerias e maior resiliência econômica
Ao consolidar um pacto com um grande bloco econômico, o Brasil fortalece sua posição estratégica no comércio global, reduzindo dependência de mercados tradicionais e aumentando sua resiliência frente a choques externos ou tensões geopolíticas.
Esses pontos resumem os principais impactos positivos projetados para o Brasil, embora os efeitos finais dependam da implementação, do ritmo de execução e de políticas públicas complementares que garantam que os benefícios sejam amplamente distribuídos entre diversos setores da sociedade.